domingo, 21 de outubro de 2007

Flexisegurança, flexigurança, flexi quê?

Há uns tempos atrás, chegou-me aos ouvidos esta história da flexigurança (penso que este é o termo correcto, ou flexcurity)...

E perguntam vocês, o que raio é essa história da Flexigurança (e perguntam muito bem..)?

Isto é um modelo de trabalho, ou seja um conjunto de leis para regulamentar o trabalho, tal como temos as Leis do Trabalho, foi um modelo implementado na Dinamarca nos anos 90 ( não sei precisar o ano ) com bastante sucesso até... (link para a wikipedia).

O ponto importante neste modelo, é que os empregadores ( aka patrões ), podem despedir quando quiserem e sem dizerem nem ai nem ui... O que se diga de passagem que é um espectáculo...

Amanhã chegava ao trabalho ( tenho um contrato de um ano ), e bastava dizerem-me, tás despedido...nem podia dizer nem ai nem ui... só tinha de comer e calar...

Mas o modelo não é só isto como é lógico, ora vejamos os pontos mais importantes (pelo menos para mim ) deste modelo (retirados daqui, perdoem-me se a tradução não for a ideal.. ):

Lei geral (por assim dizer): Não existe salário mínimo, nem horas de trabalho máximas..Não garante o direito à greve, e não impõe modelos de contratos de trabalho..

Olha que bom hein! Pagam-nos o que quiserem, e não temos que nos preocupar com as horas de trabalho...é aquelas que o chefe quiser..horas extraordinárias? O que é isso? Nesta empresa não temos cá disso..queres fazer greve? Vais para a rua...contratos também não existem...fica tudo a recibos verdes...

Alta mobilidade (isto na Dinamarca): 30% da força laboral todos os anos muda de trabalho, e os dinamarqueses ficam em média 8 anos no mesmo trabalho (embora possam subir dentro da empresa).

Espectáculo, todos os anos vou mudar de trabalho...lá se vai a estabilidade e possibilidades de ter uma carreira...sim..porque nas empresas em Portugal ou temos um grande tacho, ou duvido muito que comecemos como administrador de uma empresa..

Protecção: Em caso de despedimento, a lei impede que o empregador pague uma indemnização, existe um seguro de desemprego que é opcional, administrado por 35 empresas privadas, aprovado pelo estado, e afiliado com vários sindicatos. Se um trabalhador perder o emprego, recebe 90% do seu antigo salário com um máximo de 19,500€ por ano, num máximo de 4 anos, sem diminuir este valor. Para quem não tem seguro, existe uma assistência social municipal, condicionada à procura de trabalho..

Vá nem podia ser mau né? Alguma coisa tinha de ser boa...és despedido, não levas compensação nenhuma, mas até recebes 90% do ordenado durante 4 anos..se tiveres o tal seguro...se não tiveres...recebes um pouco menos..

Incentivos para a procura de trabalho: Durante os primeiros 6 meses em que se está desempregado, é-se obrigado a participar em cursos de formação ou estágios em empresas. É exercido um controle apertado para determinar o ordenado pago.

Ui..olha que maravilha...estágios...e todos nós sabemos como é que os estagiários são tratados/pagos cá em Portugal..deve ser tão bom ir estagiar para um empresa...

Mas uma coisa boa é que somos obrigados a fazer qualquer coisa...de certeza que andam para aí muitos espertinhos, que trabalham durante um ano ( para terem direito ao subsídio de desemprego ) e depois andam uma carrada de tempo a mamar à pala do estado ( e de nós ao fim ao cabo..)

Custo elevado: Os impostos na Dinamarca, são acima dos 50% e os mais altos da Europa. Podem ver aqui um exemplo dos impostos dinamarqueses...

Viva mais impostos!! Eu até gosto de dar dinheiro ao estado e tudo...e quanto mais melhor..

Vamos lá a ver como é que isto é realmente, isto para o mercado de trabalho da Dinamarca foi uma maravilha, reduziram o desemprego de 11% (ou algo parecido) para 3% ( mais coisa menos coisa ), e a economia foi revitalizada...ou seja foi bem aplicado à realidade social daquele país...

Agora isto aplicado aqui no nosso canto à beira mar plantado, será mesmo que resulta? É que não me cheira mesmo nada...já estou mesmo a ver o desemprego a aumentar desmesuradamente, para além de andarmos todos na corda bamba... um mês estamos numa empresa, outro mês estamos noutra e por aí adiante...

Segurança, deixa de existir, sabe-se lá, se vou ter trabalho para o mês que vem..e os seguros/subsídios de desemprego? Da maneira que está a Segurança Social, eu nem direito à reforma vou ter...quanto mais subsídio de desemprego...

Claro que eles não vão implementar isto assim à maluca..(pelo menos é o que espero..)

Uns links interessantes:
Diário de Notícias
Diário Económico

Nunca pensei que fosse capaz de dizer uma coisa destas...mas a emigração é-me cada vez mais apelativa...embora eu sempre dissesse que de Portugal não saía...mas da maneira que isto anda...quem me dera ter os tomates para largar tudo...e por-me a andar...

Um bem haja a todos...

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